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segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Um espaço genial na Pompéia

"Mentes criativas são conhecidas por
sobreviverem a qualquer tipo de mau aprendizado." 
(Anna Freud)

Café e Ateliê Fazendo Arte
Rua Dr. Miranda de Azevedo, 691.
(Esquina com Cel. Melo)
Vila Pompéia - São Paulo
tel: 3868-1510
Saúde mental tem tudo a ver com 'criatividade', jogo de cintura, abertura para o compartilhamento emocional e espacial.  Seja para decisões importantes, no âmbito da sobrevivência material ou subjetiva,  seja para expansão de nossas possibilidades de contato com o mundo ou pelas formas com que nos expressamos nele.

Por tudo isso e ainda tantas outras variáveis possíveis, para que possamos desfrutar dos acontecimentos a nossa volta, como o deslumbramento das belezas materiais ou as emoções contidas nos relacionamentos com outros humanos,  precisamos estar em sintonia com nossas possibilidades critativas a fim de evitar as velhas respostas contaminadas de experiências passadas que não nos servem mais. (A questão das respostas cristalizadas ou a neurose, que em breve será discutida no Blog).

Pensando nessas possibilidades criativas, para facilitar nosso bem-estar no mundo com os outros e suas belezas, foi inaugurado na Pompéia, o Café Fazendo Arte. Idealizado pela artista plástica e arteterapeuta Eloísa Remédio, "com o objetivo de agregar o melhor da arte e cultura, o Café Fazendo Arte terá como objetivo incentivar saraus, bate-papos e o aprendizado da pintura e arte em geral em meio a degustação de cafés, vinhos e quitutes". 
Confiram no link:  http://cafefazendoarte.blogspot.com.

Enfim, espaço e ingredientes necessários ao acolhimento e conforto que nossa saúde mental merece... Cuidem-se bem!
Márcia Coutinho


domingo, 7 de agosto de 2011

"SEM PENSAR"... E as consequências????


“Sem Pensar…  E as consequências?

Peça:  Sem Pensar
TUCA – Rua Monte Alegre, 1024 – Perdizes – São Paulo

Sextas e sábados, às 21h30 e domingos, às 19h até 02/10
Preço: De R$40 a R$ 60

Tel: (11) 3670-8455

Assisti à peça ‘Sem Pensar’ (Spur of the moment, titulo original em inglês que pode ser traduzido como “Impulso Repentino” ou ainda, fico pensando que pode-se  ter a dupla conotação de ‘of the moment’ como algo que está no repertório cotidiano sem nenhuma propriedade com aqueles que assim se comportam).
O espetáculo me deixou curiosa quanto a sua criação. A peça, que foi trazida da Inglaterra pelo cineasta Luiz Villaça, diretor desta montagem, foi escrita por uma jovem inglesa, Anya Reiss, de apenas 17 anos, e trata das relações familiares ‘’do momento’’.  Ou, o olhar de uma adolescente para as relações familiares que, muito possivelmente, permeiam o cotidiano de muita gente.
Segundo a atriz Denise Fraga, que de forma elegante e simpática recepcionava sua platéia a entrada do teatro, o que a fascinou nesse texto foi justamente o fato de “que ele fala da nossa cegueira cotidiana”. Acrescentando que “a gente, às vezes, almoça e janta com pessoas que a gente mal conhece que são nossos filhos e maridos. Pessoas que a gente ama, mas trata tão mal”.
Uma instituição em crise ou a crise da desumanização?
Antes de tudo, interessante salientar a universalidade da dinâmica familiar descrita pela jovem autora. Da referência a produtos de consumo globalizado, como algumas músicas ‘’teens’’, que não são do meu conhecimento para referenciá-las,   ou os filmes do Harry Potter, aos papéis sociais designados a cada gênero. Ou, como é ser  ‘papai’ e  ‘mamãe’, ou ainda, como é ser ‘marido’ e ‘esposa’, numa família de classe média inglesa convencional, a duras penas para se manter no conforto de seu “Lar’’. A origem inglesa da representação, em nada modifica a dimensão das relações e papéis  sociais apresentados na peça aqui no Brasil. Pode-se até mesmo inferir que ‘a cegueira’, a que Denise Fraga se refere, se trata da crise existencial da ‘sociedade-ocidental-patriarcal-capitalista-judaico-cristãdo momento.
Me parece óbvio que não se poderia esperar de uma menina de 17 anos, a autora do texto, um aprofundamento vivencial que desse sustância à apresentação. Porém, o que foi representado já dá pistas de que a vivência familiar, seja na Inglaterra ou no Brasil,  está mais do conformada às limitações do ‘’conforto’’ que a vida moderna oferece.  Será esse também um fenômeno da globalização? Ou melhor, quais são os benefícios  que tais padrões de comportamento trazem à sociedade e à humanidade? E ao desenvolvimento humano, pensando-se na necessidade de interação como fundamento básico para a existência? (Sem falar na questão ecológico-ambiental....).
No sentido de tentar encontrar uma resposta a estas questões (ou problematizar ainda mais) duas dinâmicas me chamaram a atenção. Primeiro, nas tentativas de resolução do conflito iminente do casal padrão (a traição do marido), pode-se constatar as angústias e aspirações individuais abafadas por esse tipo de relacionamento ou compromisso afetivo ‘modelo’. E, justamente na interação cotidiana do casal que se manifestam os comportamentos modelos que (in)viabilizam a convivência.
De um lado, o padrão de comportamento masculino, com a concepção de que a união conjugal e consequente  constituição de uma família, lhe garanta a primazia ‘’tribal’’. Um lugar onde sua participação se limita ao usufruto das instalações residenciais e da fêmea disponível, além da responsabilidade de garantir o sustento de todo o grupo. Do outro, o feminino, a instabilidade emocional, tipicamente histriônica, para o desempenho de todas as demandas restantes para a manutenção do ‘Lar’’, que lhe garanta a presença do masculino, a família modelo e o prêmio de mãe/esposa do ano: negociações emocionais com o marido e familiares, educação e orientação dos filhos, alimentação, organização da casa, limpeza, economia doméstica, etc..  
Em ambos os cônjuges, o convívio cotidiano parece estar comprometido à manutenção de idéias (ou ideais) padronizadas(os) e pouco, ou nenhum, espaço é dado para a interação humana entre as pessoas que escolheram viver juntas para sempre e sua prole. Tudo acontece como se o sonho da ‘família feliz’, se justificasse apenas pela atuação de papéis pré-estabelecidos em modelos de comportamento padronizados a cada gênero e faixa etária.
Esse foi meu susto, o velho modelo de ‘papai-e-mamãe’ em versão globalizada. Provavelmente ‘adquirido’  nas belas imagens de histórias familiares contadas nas revistas femininas e/ou em outros meios de divulgação, ainda contaminados pela dominação patriarcal, como na imagem e nos produtos associados ao conforto a que todos merecem. (Não é à toa que a ONU passou a considerar oficialmente a FELICIDADE como uma ferramenta para o desenvolvimento dos países, veja a notícia completa em  http://www.folhadaregiao.com.br/Materia.php?id=281604 ).
O esforço por encarnarem e desfrutarem de papéis ou ‘scripts’ pré-estabelecidos de convivência, faz com que a angústia individual desses personagens funcionem como empecilhos para o contato verdadeiro e possível entre eles, limitando-os à interação com as ‘coisas’ (inclusive seus modelos de papéis) e não com as pessoas. Cegueira absoluta para a essência do ser e de SER. Um relacionamento EU-Isso, lembrando de Bubber, em detrimento do EU-TU (sobre Martin Bubber vide post “Ciúme, o contrário do amor” no link  http://psicolharizando.blogspot.com/2011/07/ciume-o-contrario-do-amor.html).
Outro fato que me chamou a atenção foi a de que tudo isso transcorre em pleno século XXI, a despeito de todos os ‘’avanços’’ sociais, científicos e culturais da humanidade: a emancipação da mulher, a liberação sexual, a inserção do masculino nas relações familiares, a inserção da mulher no mercado de trabalho, a igualdade de direitos, a livre expressão das individualidades,  os direitos humanos, os direitos da infância e dos adolescentes, os direitos trabalhistas, a preocupação ecológica, a denúncia de ‘bullyings’, a criminalização do preconceito racial, entre tantas denúncias e estatutos protecionistas). Será que avançamos mesmo? Enquanto o núcleo familiar se mantiver impregnado de concepções estereotipadas e insensíveis às necessidades humanas de seus próprios membros, a que tipo de progresso estamos submetendo nossos entes queridos e a história da nossa civilização?
Leonardo Boff, se referindo à ‘relação de reciprocidade’ possível no encontro entre o masculino e o feminino, lembra que em sua essência humana, “embora diferentes, homem e mulher se encontram no mesmo patamar humano, e vivem, A PARTIR DAÍ , o seu cara a cara”  (2002). A distorção a que estamos acostumados, seria uma má interpretação da diferença entre os gêneros, que serviu para subordinar a mulher ao homem, coisificando-a como um dos bens que ele possui, e ainda, excluindo-a da visibilidade social. Onde predominam relações dissimétricas, injustas e desumanizadoras para AMBAS as partes (Filmes indicados: “Que fiz eu para merecer isto?”,de 1984, e o também inglês, “Shirley Valentine”, de 1989).
Desde o nascimento é no núcleo familiar que somos apresentados ao MUNDO que se desdobra além do círculo de conforto que nos cerca. A Psicologia sabe da relevância da “modelagem social’’ (A. Bandura)  no comportamento humano. Em sua teoria cognitivo-comportamental, Bandura (1977) afirma: "O aprendizado seria excessivamente trabalhoso, para não mencionar perigoso, se as pessoas dependessem somente dos efeitos de suas próprias ações para informá-las sobre o que fazer. Por sorte, a maior parte do comportamento humano é aprendido pela observação através da modelagem. Pela observação dos outros, uma pessoa forma uma idéia de como novos comportamentos são executados e, em ocasiões posteriores, esta informação codificada serve como um guia para a ação." (p22).  Por mais que exista a possibilidade a novos comportamentos, sabe-se a relevância desses  ‘modelos’  quando ainda adornados de glamour e conforto. Após anos de educação para o consumo desenfreado (Sem Pensar) em detrimento da lógica de bem-estar e desenvolvimento da humanidade, nascida dos ideais das conquistas científicas e tecnológicas. Outra ferramenta de dominação do patriarcado. (Talvez seja por isso que tantas normas de comportamento  sejam pensadas e escritas para fazer valer o direito e a responsabilidade de todo SER-humano consigo mesmo, com os outros e com o mundo ).
Porém, sob o olhar psicológico fenomenológico-existencial, sabemos que mesmo quando nós ‘escolhemos’ modelos de comportamento pré-estabelecidos para responder às nossas necessidades na vida, são necessárias ponderações existenciais. Se apenas escolhemos repetir padrões sem a devida reflexão e a participação de quem somos (‘Sem Pensar’), na verdade estaríamos escolhendo não-existir e não-SER para as nossas possibilidades, acrescentando mais angústia a existência, cegando-nos à nossa potencialidade criativa e, consequentemente, limitando-nos a atuação na realidade..
O contrário disso seria o ‘’ideal’’ mais próximo a que podemos chegar,  para viver com autonomia e interatividade, e que, apesar de e por causa de  todas as dificuldades (não é tarefa fácil mesmo!) nos traz a sensação de integridade, bem-estar ou felicidade que nenhum decreto, estatuto, aquisição de produtos ou normatização de comportamento nos garantirá. Ou, conforme Boff (2002) ‘independência e identidade’ para o cuidado de nós mesmos e das relações que enriquecem a  existência
“Sem Pensar’, é uma dica de espetáculo com traços cômicos, num tipo de BBB familiar em linguagem teatral, onde podemos ‘espiar’ o que acontece dentro das famílias, que exalam perfeição, e a forma com que se dão os relacionamentos ‘do momento’, conforme  visão de uma jovem adolescente de 17 anos. Conflitos e angústia humanos no esforço para manutenção e imposição de papéis, que nos deixam pensando sobre o porquê viver ‘sem pensar’, se as consequências são evidentes.
Talvez, esse seja o motivo do riso ‘nervoso’ de alguns espectadores:  sem pensar e sem se responsabilizar pelas consequências. Afinal, nesta lógica podemos nos colocar como vítimas da existência, que nos ‘’obriga’’ a fazer escolhas impensadas, que ‘sempre foram assim”...  Até quando?
Aproprie-se de suas escolhas, cuide-se BEM!!!!


Para saber mais:

- BOFF, L., Muraro. R.M. Feminino e Masculino – uma nova consciência pra o encontro
       das diferenças. Rio de Janeiro: Sextante, 2002.

- BUBER, Martin. Eu e Tu. 8.ed. São Paulo: Centauro, 2004.

- Ziglio, A. “Sem Pensar: risos e muita reflexão”.  Reportagem IG Cultura, 2011.  Disponível em http://colunistas.ig.com.br/monadorf/2011/07/22/sem-pensar-risos-e-muita-reflexao/

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Psicoterapia ?!?! O que é isso ??? (PARTE I)

Parte I: Psicoterapia - aprendendo a se cuidar 


Pensando na falta de conhecimento do público, em geral, sobre as práticas psicológicas e na influência destas sobre as escolhas pessoais, achei interessante apresentar um resumo sobre as constatações da Psicologia e de suas abordagens (teorias psicológicas),  baseando-me nas perspectivas observadas da prática clínica e da vida cotidiana. Para que este resumo não perca seu potencial instrutivo, resolvi publicá-lo em duas partes: 
A ‘terapia do divã’ (como algumas pessoas se referem), com crescente disseminação na mídia (cinema, novelas, reportagens, seriados, etc.), vem cada vez mais chamando a atenção das pessoas para a possibilidade de  conhecerem a si mesmos (auto-conhecimento) a fim de atuarem com melhores estratégias no mundo, mesmo sem compreenderem acerca de seus métodos ou premissas.  Parece que as pessoas supõe de que se trata de uma forma de cuidado especializado em saúde mental, onde se pode revisitar a própria vida e assim conquistar mais confiança em si mesmo e, consequentemente, na própria forma de existir. Apesar de que o tema 'auto-confiança' tem sido bastante explorado nas mídias, principalmente, programas ''informativos'' da TV, como se bastasse à pessoa se certificar de seus. 
Note-se que a expressão  ‘CUIDADO DE SAÚDE’, ao contrário do preconceito existente sobre esse tipo de intervenção, geralmente associado ao conceito de ‘loucura’ ou perda da consciência ou ainda fraquezas e debilidades, trata-se de um cuidado com a própria existência assim como nos acostumamos a utilizar os serviços de saúde disponibilizados para prevenção ou erradicação de alguns desconfortos físicos. Tais como dentistas, ginecologistas, RPGistas, massagistas, e até mesmo as tão famosas academias. Já que a prática de esportes ou atividades físicas também está associada à manutenção e prevenção da saúde mental. 
Importante, portanto, também associar a psicoterapia (=terapia psicológica) ou a orientação psicológica aos cuidados de saúde do nosso cotidiano, apartando de vez essa noção antiquada e preconceituosa de ‘tratamento para loucos’ como se fosse  seu único campo de ação.
É verdade que a Psicologia em seus primórdios (séc. XIX), preocupava-se mais com a “cura’’ de doenças mentais do que com a compreensão ou manutenção do que entendemos como  saúde (=equilíbrio emocional), porém desde essa época já se passou muito tempo. Muitos estudiosos ampliaram o campo de ação das práticas psicológicas com novas teorizações acerca dos fenômenos que englobam o comportamento humano.
Assim, pensando-se nos preconceitos associados às consultas psicoterápicas, acredita-se que a divulgação de suas possibilidades são muito bem-vindas. Porém, as observações de consultório mostram que as pessoas, muito frequentemente, devido ao desconhecimento das práticas da psicologia (ou o ‘fazer psicológico’),  ainda se apresentam com expectativas  baseadas no ‘fazer da Medicina’, este ainda muito mais difundido pela mídia. Por exemplo, a expectativa de diagnósticos fechados, prognósticos, prazos de tratamento (posologia), métodos de avaliação (exames) e, principalmente, seus respectivos métodos de “cura’’ (no mesmo sentido em que se busca medicação, remédios). Ao que parece, confunde-se a objetividade utilizada nos tratamentos médicos  que cuida de fenômenos ‘biofisiológicos’ (à organismo), com o cuidadoso descortinamento da subjetividade (mente à mundo interno) própria de cada um, a ser compreendida e cuidada em prol de uma possível superação, na dinâmica psicoterapêutica. Processo que não permite avaliações de tempo-espaço a que estamos habituados quando buscamos tratamentos médicos específicos.
O cuidado psicoterapêutico, tanto do terapeuta com relação ao paciente, quanto do paciente com relação a ele mesmo, se faz acontecer no mundo das idéias, emoções, afetos, memórias, sensações. Ou seja, para cada paciente  existe um único mundo, muito particular, a ser cuidado, atualizado e renovado. E daí, pode-se compreender o porquê da dificuldade de prescrições prévias. Cada SER que se apresenta traz sua própria história, permeada por dores e sofrimentos que, por incrível que pareça, trazem consigo o caminho da possível “cura’’. Ou melhor, o alívio do desconforto enraizado por anos e anos de desconhecimento das próprias possibilidades de lidar com as dificuldades. Por exemplo, como podemos nos curar de uma dor emocional, se não lidamos com ela conscientemente para encontrarmos respostas que lhe amenizem o sentido limitante e, até traumático? (Outro exemplo (imperdível), pode ser compreendido em “Não fuja da dor”, música dos Titãs que, sem nenhum 'psicologuês',  resume o que estou dizendo.





Como um exercício do que se está falando, pense agora mesmo, quanto tempo você levaria para revisitar os fatos significantes de sua própria história (=dor, angústias) e encontrar o “remédio’’ que precisa para libertar-se deles(as)? Ou ainda, quanto tempo seria necessário para  você encontrar  a 'si-mesmo' e responder à vida com autenticidade?

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Fenomenologia ?!?!?!? O que é isso ????





- Fenomenologia (uma maneira de interpretar e adquirir conhecimento sobre a realidade a partir da compreensão dos fenômenos que a constróem, como estes se apresentam)



-  A Fenomenologia 

As questões sobre "O que é a realidade e o Homem?" sempre permearam todos os postulados filosóficos. Quando um filósofo divulga sua compreensão sobre algum tema, implícita ou diretamente, encontra-se aí também sua visão de MUNDO (o que é a realidade) e de HOMEM (o que é o homem frente a realidade que o cerca). Da mesma forma, a ciência, oriunda da filosofia, e suas aquisições (descobertas científicas),  também são formuladas de acordo com perspectivas do pensamento de quem as formulou. 
Entre 1900-1901, Edmund Husserl, apresentou sua principal obra, Logische Untersuchungen (Investigações lógicas), na qual dirige a atenção para os fundamentos da lógica (= do pensar organizadamente em função de se chegar ao conhecimento daquilo que se está pensando). Sendo o pensamento  a manifestação do conhecimento que busca a ‘verdade’, foram  estabelecidas algumas regras para que essa meta pudesse ser alcançada. Assim, a lógica -  ramo da filosofia que cuida das regras do bem pensar ou do pensar correto -, é um instrumento do pensar e só tem sentido enquanto meio de garantir que nosso pensamento proceda corretamente a fim de chegar a conhecimentos verdadeiros. (http://pt.wikipedia.org/wiki/Lógica)
Na Lógica de HUSSERL, filósofo e matemático,  propõe-se a descrição dos fenômenos tais como eles parecem ser, sem nenhuma suposição de como eles possam ser ‘NA VERDADE’, (como a fábula dos cegos tateando o elefante...). Foi o fundador de uma escola muito numerosa e importante, representada em vários segmentos de estudos no campo das ciências humanas. http://www.consciencia.org/husserlbochenski.shtml.
Esta obra divide-se em duas partes: a primeira, contém críticas aos métodos difundidos pela ciência positivista, que pretendia construir ''saberes'' sobre a realidade humana de forma imparcial, como se não houvesse nenhuma contaminação no ''olhar'' de quem estivesse investigando qualquer fenômeno. A segunda, mostra a aplicação dos fundamentos fenomenológicos, a partir dos quais , Husserl criou o método de compreensão da realidade, o 'olhar fenomenológico', para a época, uma ‘nova’ possibilidade de se interpretar e conhecer a existência humana.
Esse método (fenomenológico) de compreensão da realidade foi adotado por renomados pesquisadores e psiquiatras da época, e assim passou a ser também uma possibilidade de interpretação do MUNDO e do HOMEM utilizado pela Psicologia e sua prática.