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sexta-feira, 24 de junho de 2011

Psicoterapia ?!?! O que é isso ??? (PARTE II)


Parte II: Psicoterapia - aprendendo a se cuidar e a escolher 

Já conseguiram compreender a dimensão (tempo-espaço) dos encontros psicoterapêuticos? Encontraram um prazo específico para prever de antemão o fim do acompanhamento clínico psicológico?
Para maiores esclarecimentos sobre o funcionamento prático/teórico deste acompanhamento, aí segue a segunda parte das considerações necessárias. 
A prática da psicoterapia funciona como uma ‘escuta técnica’ para as questões existenciais (fenômenos) que permeiam a vida de qualquer pessoa. Questões que ganham  significados próprios nos múltiplos entrelaçamentos de redes neuronais, os quais dão substância à mente humana.  E,  como esses fenômenos não existem por uma única causa e não podem ser vistos a olho nu, as respostas dadas pela Psicologia também podem ter diversas interpretações que, a grosso modo, respondem à forma de como foram observados.  É só lembrar da fábula dos cegos e do elefante,  onde cada cego ao tatear um elefante dava sua própria impressão do que era o ‘bicho desconhecido’, baseando-se somente na parte tocada (disponível em http://gpintg.blogspot.com/2010/02/fabula-indiana-dos-cegos-e-o-elefante.html).
Assim também acontece com a tão divulgada ‘terapia do divã’, chamada de Psicanálise,  fruto do pioneirismo e esforço de Sigmund  Freud (lê-se FRÓIDE),  em pesquisar, sistematizar  e  divulgar sua  T E O R I A  sobre o funcionamento do psiquismo humano, desde o fim do século XIX.
Acentuo a palavra ‘teoria’ para esclarecer que o termo se refere a uma  explicação dada a um determinado fenômeno que não pode ser replicado ( ou comprovado) por experiência científica, mas que apresenta em seu conteúdo consistência lógica justificável, mesmo que utilizando de metodologia científica para sua constatação.
É só lembrar da Teoria da Evolução de Darwin, aquela que pressupõe que o ancestral do Homem é o macaco. Darwin, a partir de anos de estudos e observações, montou um quebra-cabeças bastante consistente com o que foi observado em suas pesquisas, pois,  não tinha como apresentar evidências científicas para respaldar suas conclusões (ou hipóteses). Daí  o “título” Teoria, que diferentemente do termo ‘LEI’ (a Lei da Gravidade, por exemplo), não  tem  condições de apresentar evidências objetivas necessárias que possibilitem a tal ‘prova científica’ (=replicação do experimento) a fim de que suas premissas sejam indefinidamente replicadas e, por isso, comprovadas cientificamente (no sentido bem restrito de seus métodos). 
Nas Ciências Humanas (estudos sobre as diversas facetas do existir humano), como já visto, a diversidade de perspectivas, qualidades, características, comportamentos, etc., passíveis de observação e estudo é muito variada. Por isso, a difícil padronização de métodos frente as diversas possibilidades de interpretação de um mesmo fenômeno. Tema de muitas discussões no meio científico, fazendo com que alguns estudiosos da ciência (‘científica’ ao pé da letra) questionem a utilização do termo “Ciências” para o estudo dos fenômenos da humanidade. (Segundo o célebre físico, Stephen Hawking, no livro “Uma breve história do tempo”, “não importa quantas vezes os resultados das experiências estejam de acordo com algumas teorias, não se pode ter a certeza de que na próxima vez o resultado não irá contradizê-las. (ou seja)… você pode refutar uma teoria por encontrar uma única observação que não concorde com as suas previsões" (http://pt.wikipedia.org/wiki/Teoria).
Dadas essas explicações, chego de novo à teoria psicanalítica de Freud (a do divã), a mais difundida dentre todas as outras ‘linhas’ (=teorias psicológicas) que tentam dar alívio ao sofrimento psíquico do ser-humano. Retorno a esse ponto, a fim de elucidar que a proposta de intervenção clínica (=prática terapêutica) da psicanálise é apenas mais uma entre tantas: como a fenomenológica-existencial, a analítica junguiana, a comportamental, a cognitivo-comportamental, as diversas abordagens corporais, algumas com base psicanalítica, outras junguianas, outras fenomenológicas, etc.. E, assim, trazer compreensão de como o “olhar’’ e perspectiva do pesquisador influenciam na sua teorização. 
Freud, observando as manifestações psíquicas de seus pacientes e utilizando-se de um pensamento racional brilhante e metodologia científica desenvolveu sua teoria da mente a partir de observações clínicas consistentemente organizadas. Foi desta forma que tentou dar ao conceito de INCONSCIENTE um status científico (não compartilhado por várias áreas da ciência e da psicologia), considerado, na época, revolucionário para o entendimento do funcionamento do psiquismo humano e, consequentemente, do  comportamento humano frente às variáveis da existência. Lembrando que esses conhecimentos sobre o funcionamento psíquico humano, basearam-se no caldo cultural do período final do século XIX, e primórdios do século XX. Ou seja, tinha como objeto de investigação, um ser humano adaptado às conformações  culturais e sociais de um tempo e espaço muito específicos da sociedade européia burguesa e intelectualizada (alguns ainda salientam a característica moralista desta fase). Bem diversa da realidade humana que sobrevive e se adapta às diversidades cotidianas no meio familiar, ambiental e social, de todo o resto do planeta (http://fundamentosfreud.vilabol.uol.com.br/biografia.html).
É óbvio que o fato dessas Teorias, não possuírem  o reconhecimento unânime da comunidade científica,  não desmerece em nada a genialidade de seus autores e de suas constatações. A grosso modo, é como se cada um apresentasse um pedaço do joguinho de quebra-cabeça, que pode ser considerado como a visão do psiquismo humano em sua totalidade. O que dever ser esclarecido é que  como essas teorias acerca do homem foram construídas “tateando’’ o ‘bicho desconhecido’,  apesar do brilhantismo de seus conteúdos, não há como se tomar essas constatações como absoluta e única verdade para descrição isolada dos fenômenos investigados por elas. Pelo menos, no que tange à ciência chamada de Psicologia, pode-se dizer que a Psicanálise, assim como tantas outras teorias psicológicas, descrevem UMA POSSIBILIDADE  de explicação  para os fenômenos do psiquismo humano, de acordo com a lógica utilizada para construir (ou idealizar) a realidade e o funcionamento humano dentro dela.
Neste sentido é que os fundamentos da fenomenologia foram considerados como uma nova possibilidade de compreensão do comportamento humano. Retirando, a princípio, os postulados teóricos cientificistas que poderiam encaixar qualquer manifestação humana dentro da perspectiva de quem os formulou. E não de quem sente e significa sua própria existência. Um exemplo das possíveis limitações de uma pessoa se encaixar em alguma teoria, é dado por aqueles que se apresentam com seus diagnósticos até mesmo num encontro informal, quando descobrem minha profissão. Tipo “sou bi-polar”, como se a descrição dos sintomas ‘cienticamente estudados’ da bi-polaridade fosse o único sentido dado por aquela pessoa a sua existência, e ponto final. Fenomenologicamente pensando, pode ser até que essas pessoas realmente se satisfaçam com isso, pois parece que encontraram um solo familiar na existência da onde podem se expressar e interagir satisfatoriamente com os outros e o mundo. No limite da interpretação possível para o caso, quem ela é ou pode vir a ser, fica a cargo da teoria e não das escolhas pessoais possíveis, que podem ser suscitadas com a psicoterapia que dê suporte para isso.
Enfim, como esse ‘bicho desconhecido’ chamado ‘mente humana’ é o resultado de infinitas possibilidades de interações neuronais, não há como se comprovar cientificamente sua localização ou ainda esquematizar seu funcionamento de forma absoluta.
O importante é que quando em busca de um ‘tratamento psicológico’ se entenda que a Psicologia ou a “linha” de compreensão psicológica oferecida, no sentido de uma única explicação para o funcionamento humano, não existe. Existem sim, as várias abordagens psicológicas que tentam, de acordo com a perspectiva de seus autores, explicar o funcionamento humano no mundo e a realidade que o cerca.  (http://pt.scribd.com/doc/7345630/Ana-Maria-Bock-A-Psicologia-e-as-Psicologias-Doc-Rev). Assim como o exemplo demonstrado anteriormente, cabe a cada interessado no seu desenvolvimento pessoal,  encontrar a abordagem que melhor se enquadre em seu próprio sistema de crenças e possibilidades existenciais, para que a tarefa de encontrar o ‘si-mesmo’ (autenticidade) tenha a empatia necessária com o que lhe será comunicado pelo terapeuta (--> sentido, significado).  


Por quanto tempo fazer terapia? Quantas vezes por semana? Qual é o valor do investimento?  

Conforme já apresentado acima, o tempo do acompanhamento psicológico dependerá da ‘abertura’ de cada pessoa para (re-)significar as velhas e as novas possibilidades com a vida.  De acordo com sua história, o psicólogo, funcionando como um facilitador entre o 'conhecido' e o porvir, possibilita ao paciente conscientizar-se sobre suas limitações e possibilidades individuais (abertura) e, desta forma, fomenta alterações nos padrões de comportamento, pensamentos, convicções e emoções.
Portanto, cada profissional terá a competência necessária para sugerir o número de encontros semanais, horários e valores, estes últimos podendo ser negociáveis. Tudo deve ser conversado desde o primeiro encontro. A duração da sessão é de 50 min, para atendimentos individuais, as quais  ocorrem com a frequência mínima de 1 encontro semanal. Também são feitos acordos sobre faltas, reposições de horário, férias, atrasos, quando também deve ser estipulado um prazo hábil para que as sejam sessões desmarcadas sem nenhum ônus para ambos.

terça-feira, 21 de junho de 2011

OLHAR FENOMENOLÓGICO-EXISTENCIAL ?????


- A EXISTÊNCIA como fenômeno

Entende-se por EXISTÊNCIA, o lugar (espaço e tempo) onde o homem pensa sobre o seu projeto de vida e trava a batalha cotidiana do seu próprio destino. Para o existencialismo, a fenomenologia de Husserl significou uma nova possibilidade de se ‘conhecer’ o fenômeno da mente humana (consciência) diferente daquela postulada pela ‘ciência positivista’ e dos métodos racionais de organização em teorias.
O homem primeiramente existe, se descobre, surge no mundo e só depois se define, seja na sociedade burguesa européia ou na favela aqui do lado. Quero dizer, ninguém pode se poupar da  tarefa primordial de se construir dentro da realidade que o envolve.
Assim, o  método fenomenológico seria a forma ou o caminho que o terapeuta possui para aproximar-se da singularidade da existência de cada um. Esse modo de pensar e de se aproximar da existência própria e do outro, chamado fenomenologia-existencial, pode fundamentar uma ampla gama de atividades desenvolvidas em psicologia. Fundamenta a psicoterapia de adultos, adolescentes, crianças e grupos, o psicodiagnóstico e a psicopatologia. Também pensa as instituições e os fenômenos institucionais de uma maneira 'nova'. (http://www.fenoegrupos.com/cursos.php).
No âmbito das ‘ciências humanas’, existem muitas filosofias existencialistas, mas seus postulados comuns são fundamentais para compreensão do trabalho terapêutico realizado na clínica. Resumidamente, estes postulados indicam a dimensão do existir humano:

1.                   O ser humano compreendido como indivíduo (único e singular), e não por meio das teorias gerais sobre o que é o Homem e a realidade. Assim, a experiência interior ou subjetiva é considerada mais importante do que a verdade "objetiva", vista pelo terapeuta que a encaixa em seu conjunto de teorias;
2.                   A ‘Existência’ como objeto de investigação e de modelagem do projeto humano em permanente "devir" (acontecer). O ser-humano é o artífice de seu próprio projeto existencial, como realidade aberta aos outros e ao mundo;
3.                   O homem não foi planejado por alguém para uma finalidade mediante um projeto. O homem se faz em sua própria existência. A existência não se baseia numa essência pressuposta;
4.                   O mundo, como nós o conhecemos, é irracional e absurdo, ou pelo menos está além de nossa total compreensão; nenhuma explicação final pode ser dada para o fato de ele ser da maneira que é;
5.                   A falta de sentido (para onde vamos e porque), tem como consequência a indeterminação,  ou a liberdade para SER. Essa ameaça permanente de sofrimento dá origem à ansiedade, à descrença em si mesmo e ao desespero. Ênfase na liberdade dos indivíduos (e nas suas escolhas) como a propriedade humana distintiva mais importante, da qual não se pode fugir.  Até mesmo quando ‘não escolhemos’, estamos ‘escolhendo não escolher’ alguma possibilidade iminente.
6.             Essa vivência existencial, como fonte de angústia, para os existencialistas cristãos, aponta o caminho da intersubjetividade (comunhão com os homens) e da transcendência (comunhão com Deus). Para os existencialistas ateus, conduz à morte, ao nada.

E o que fazer para sobrevivermos a estas condições existenciais mantendo-nos 'lúcidos e saudáveis' (responsável por si-mesmo) para boas escolhas e, assim, construirmos o futuro que desejamos? Essa questão serviu como base para a elaboração de novos caminhos ou abordagens terapêuticas, numa aproximação feita entre os conhecimentos  da filosofia (perspectiva da realidade), da medicina  (compreensão do organismo humano) e da psicologia (interação entre a realidade, o organismo e a mente humana). Uma perspectiva para se ''OLHAR'' a humanidade e a existência assim como estas se apresentam, a fim de construir a compreensão dos fatos (fenômenos apresentados) de acordo com as possibilidades (escolhas) de cada um. 
Este ''olhar'' proporciona uma compreensão a cerca do comportamento HUMANO, que, ao invés de interpretar certos fenômenos como uma ''anormalidade'' (doença, por exemplo), compreende-se que o fulano-de-tal responde à sua realidade (dimensão humana e condições próprias de existência - faticidade) de acordo com suas possibilidades de escolha. E a tentativa psicoterápica de intervenção, a grosso modo, seria a de ampliar sua capacidade de fazer escolhas, aumentando a consciência de si mesmo e de sua abertura para interagir com o mundo e os outros (realidade). 
Pensando no mundo em que vivemos, distraídos da tarefa de construirmos a nós-mesmos, de interagirmos com os outros respeitando a humanidade inerente a cada um, e da realidade ao redor (compartilhada por todos), lembro agora daquela velha máxima: " De perto ninguém é NORMAL !!! " ou ainda "Controlados, estamos todos calmos...".

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Fenomenologia ?!?!?!? O que é isso ????





- Fenomenologia (uma maneira de interpretar e adquirir conhecimento sobre a realidade a partir da compreensão dos fenômenos que a constróem, como estes se apresentam)



-  A Fenomenologia 

As questões sobre "O que é a realidade e o Homem?" sempre permearam todos os postulados filosóficos. Quando um filósofo divulga sua compreensão sobre algum tema, implícita ou diretamente, encontra-se aí também sua visão de MUNDO (o que é a realidade) e de HOMEM (o que é o homem frente a realidade que o cerca). Da mesma forma, a ciência, oriunda da filosofia, e suas aquisições (descobertas científicas),  também são formuladas de acordo com perspectivas do pensamento de quem as formulou. 
Entre 1900-1901, Edmund Husserl, apresentou sua principal obra, Logische Untersuchungen (Investigações lógicas), na qual dirige a atenção para os fundamentos da lógica (= do pensar organizadamente em função de se chegar ao conhecimento daquilo que se está pensando). Sendo o pensamento  a manifestação do conhecimento que busca a ‘verdade’, foram  estabelecidas algumas regras para que essa meta pudesse ser alcançada. Assim, a lógica -  ramo da filosofia que cuida das regras do bem pensar ou do pensar correto -, é um instrumento do pensar e só tem sentido enquanto meio de garantir que nosso pensamento proceda corretamente a fim de chegar a conhecimentos verdadeiros. (http://pt.wikipedia.org/wiki/Lógica)
Na Lógica de HUSSERL, filósofo e matemático,  propõe-se a descrição dos fenômenos tais como eles parecem ser, sem nenhuma suposição de como eles possam ser ‘NA VERDADE’, (como a fábula dos cegos tateando o elefante...). Foi o fundador de uma escola muito numerosa e importante, representada em vários segmentos de estudos no campo das ciências humanas. http://www.consciencia.org/husserlbochenski.shtml.
Esta obra divide-se em duas partes: a primeira, contém críticas aos métodos difundidos pela ciência positivista, que pretendia construir ''saberes'' sobre a realidade humana de forma imparcial, como se não houvesse nenhuma contaminação no ''olhar'' de quem estivesse investigando qualquer fenômeno. A segunda, mostra a aplicação dos fundamentos fenomenológicos, a partir dos quais , Husserl criou o método de compreensão da realidade, o 'olhar fenomenológico', para a época, uma ‘nova’ possibilidade de se interpretar e conhecer a existência humana.
Esse método (fenomenológico) de compreensão da realidade foi adotado por renomados pesquisadores e psiquiatras da época, e assim passou a ser também uma possibilidade de interpretação do MUNDO e do HOMEM utilizado pela Psicologia e sua prática.