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terça-feira, 26 de julho de 2011

CIÚME, o contrário do AMOR

CIÚME, o contrário do AMOR

“O amor tira a inteligência do confinamento das células
e abre os espaços da poesia.
O ciúme fecha sobre nós as portas da solidão.”
(Emmanuelle Arsan, A hipótese de Eros,
Editora artenova, 1975, tradução de Clarice Lispector)

Como os relacionamentos afetivos, e em alguns casos o ciúme, têm sido  temas recorrentes na clínica. Me aventurei a esboçar uma breve resenha de um livro muito elucidativo  sobre o assunto: CIÚME - O lado amargo do amor, de Eduardo Ferreira-Santos. Com o pouco tempo que cada um alega ter para a leitura, espero que esse trabalho resumido, alcance a compreensão e sirva como estímulo ao desenvolvimento pessoal de seus leitores.

O CIÚME frequentemente traz consigo muito sofrimento e consequentemente, vai minando a possibilidade de interação  com o parceiro e da relação da qual se pode desfrutar.
Inicialmente, num relacionamento amoroso, pode-se até ter a sensação de que o ciúme é prova de amor verdadeiro. O próprio Ferreira-Santos identifica esse tipo de sensação como algo que vem sendo construído ERRONEAMENTE pelo senso comum e que, invariavelmente, denota o início de uma perturbação no verdadeiro sentimento que pode ser compartilhado entre dois seres.
Como construir  um 'SER' (e  existir)  sem a presença e a interatividade de um outro SER? Essa relação de co-dependência entre os seres se estabelece desde o nascimento. Relacionamentos afetivos por essência são um excelente aprendizado para aqueles que compreendem que o compartilhamento de si próprio e a interação com o outro, no mesmo tempo/espaço, são fundamentos necessários ao desenvolvimento pessoal. O 'atrito' das emoções evocadas  pelos relacionamentos, podem ser objeto de reflexões e escolhas em prol da autenticidade e autonomia de qualquer indivíduo.
Imperdível o filme de Claude Charbrol, L'Enfer (1994),
        onde o processo de adoecimento do espírito amoroso
     e relacional de um jovem casal, recém-casado, é
          minunciosamente descrito em detalhes comportamentais
         e nuances afetivas sob a perspectiva dos dois cônjuges.
     Simplesmente IMPERDÍVEL !!!!
Pode-se com este ‘olhar para dentro’ (auto-conhecimento) conquistar novas possibilidades de existência mais apropriadas a quem as escolhe. Afastando-nos de respostas ‘automáticas’, geralmente, aprendidas no relacionamento primordial, onde fomos inseridos desde o nascimento e pelo qual aprendemos a nos reconhecer e a reagir frente aos fenômenos a nossa volta.
Uma referência ao que acabo de citar encontra-se na ‘filosofia dialogal’ de Martin Buber (1878-1965). Para quem o homem pode relacionar-se de duas formas com os outros: tomando-os por objetos (relação do tipo ‘EU-ISSO’) ou colocando-se na presença deles (EU-TU), onde “existir é coexistir”.
Para Buber, o homem só existe no mundo, compartilhando sua existência com tudo aquilo que está nele. Por isso dizer algo sobre o ‘ser humano concreto’ é compreender o homem em suas relações. Para o pensamento de Buber, essa troca entre seres (ou intersubjetividade) é o que o ser humano tem de mais essencial.
Aliás, Buber não nega a importância da relação EU-ISSO e dos avanços tecnológicos e científicos trazidos pelo domínio e compreensão da natureza. O filósofo no entanto nos mostra que existe outra forma de se aproximar do mundo, através da relação dialogal. Ou seja, além da dominação e controle do objeto que se faz presente.
Aasim é que o TU (o outro) foge de conceitos, esquemas, padronizações, pois  não se revela por força da vontade de um EU, mas simplesmente acontece. O mundo do TU é, neste sentido, arriscado, inseguro. Não somos capazes, como na relação EU-ISSO, de construir um sistema no qual podemos nos refugiar, dominando nosso objeto. Ao dizer TU não temos um objeto diante de nós, mas uma presença.
O que Buber faz, portanto, é convidar-nos a ter coragem de ultrapassar a segurança do ISSO (dos fenômenos controláveis) para nos aventurarmos no reino misterioso do TU, independentemente do grau de afetividade que esteja envolvido nessa relação com o outro (relacionamento amoroso, conjugal, de parceria, de amizade, de parentesco, profissional, coleguismo, etc.).  No sentido desse encontro e das trocas possíveis, usando somente nossa ‘presença’ como ferramenta, moldamos a HUMANIDADE, fonte de conhecimentos e de inter-relacionamentos infinita e de fortes sentimentos de realização.
Concluindo, o CIÚME, é sofrimento porque nos traz limitação para realizações verdadeiramente humanas.   Preservá-lo é motivo de sofrimento para todos !

Cuide-se bem...!!!!

Márcia Coutinho
Psicóloga e Sexóloga
CRP/06-81.855



RESENHA
Livro: CIÚME - O lado amargo do amor (FERREIRA-SANTOS, E., 2007)

Numa abordagem ao mesmo tempo profunda e envolvente, Eduardo Ferreira-Santos mostra a importância da reflexão e do diálogo para que se possa entender e vencer o ciúme – sentimento contraditório e frequentemente agressivo. A obra discute não apenas as reflexões da psicologia acerca do tema, como apresenta referências da mitologia, história, teologia e literatura, fazendo deste livro uma contribuição efetiva para o melhor entendimento da natureza múltipla do ciúme e um instrumento sensível para a conquista de uma vida conjugal mais plena e amorosa.
O autor, que é psiquiatra, mergulha no tema do ciúme, mostrando as causas de seu surgimento e suas consequências para as relações afetivas – como dependência, perda de autoestima e até distúrbios psicológicos graves. Ele também aponta saídas para situações neuróticas. Afinal, o ciúme acaba transformando o amor, sentimento altruísta por natureza, no mais exacerbado egoísmo.
Santos afirma que existem quatro tipos de ciumentos: o zeloso, o enciumado, o ciumento e o delirante, este último capaz de atos extremos caso se sinta traído. Ele afirma que se analisarmos mais detalhadamente o ciúme, podemos perceber, logo de início, que não se trata de um sentimento voltado para o outro, mas sim voltado para si mesmo, para quem o sente, pois é, na verdade, o medo que alguém sente de perder o outro ou sua exclusividade sobre ele. É um sentimento ego-centrado, que pode muito bem ser associado à terrível sensação de ser excluído de uma relação. O normal, mais comum, é a pessoa sentir-se enciumada em situações eventuais nas quais, de alguma forma, se veja excluído ou ameaçado de exclusão na relação com o outro.Santos acentua que em um grau maior de comprometimento emocional, quando há uma instabilidade neurótica ou de autoafirmação, a pessoa pode apresentar-se como ciumento. Neste caso, a sensação permanente de angústia e instabilidade, a insegurança em relação a si mesmo e ao outro, além da fragilidade da relação afetiva, podem levar a pessoa a manter um permanente "estado de tensão", temendo ser traído ou abandonado. Qualquer sinal do outro pode significar algo e a angústia da dúvida corrói a alma de quem é ciumento. Em uma terceira situação, ainda mais grave sob o ponto de vista de comprometimento do psiquismo, podem ocorrer situações delirantes em que a desconfiança do ciumento cede lugar a uma certeza infundada de que está mesmo sendo traído ou abandonado.
O ciumento vive um eterno sofrimento, e acaba experimentando stress, descontrole emocional, terminando por causar um tremendo clima de tensão e desajuste familiar, aliando a este clima cenas públicas constrangedoras para ela e para a família. Esse tipo de ciúme é conhecido como "Síndrome de Otelo", em referência ao personagem shakespeariano que sofria deste mal, e pode levar a pessoa a cometer atos de extrema agressividade física, configurando aqueles casos que recheiam as crônicas policiais de suicídios e homicídios passionais.Enquanto os casos mais brandos de ciúme podem ser uma manifestação de má estruturação da autoestima, os intermediários refletirem estados neuróticos, os casos da "Síndrome de Otelo" são, indiscutivelmente causados por patologias psiquiátricas graves.
De qualquer forma, o complexo sentimento de ciúme, longe de ser aquele "condimento" que toma a relação amorosa mais "apetitosa", é um sentimento que leva, via de regra, ao sofrimento de quem o sente e, principalmente, de quem padece nas mãos de um ciumento desconfiado e agressivo. Nas palavras do escritor Eduardo Ferreira-Santos, o ciúme é, em última análise, um SINAL DE ALERTA! É uma "luz vermelha" que se acende no painel da vida, indicando que algo está falhando. Seja em um ou no outro, seja na relação, algum "ruído" está denunciado pelo ciúme. Quanto mais intenso e menos controlável maior o problema. Quanto maior a intensidade desse sentimento, mais estaremos ultrapassando os limites da normalidade, para, aos poucos, podermos ser devorados por uma obsessão capaz de destruir qualquer relacionamento.

Avalie a intensidade de seu ciúme
(O teste é o mesmo para homens e mulheres)

Fonte: O psiquiatra Eduardo Ferreira-Santos, médico-supervisor do
 Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas e autor de dois livros
sobre o assunto (CiÚME - O medo da perda, 1998 e CIÚME - O lado amargo do
Amor, 2007), elaborou este teste a pedido da Revista VEJA

(Nota do Blog:  Importante acrescentar que esta avaliação não tem nenhuma acuidade, nem pretensão psicológica, servindo somente para exemplificação  de comportamentos possivelmente objetivados numa relação afetiva)
1. Seu (sua) parceiro(a) telefona do trabalho e diz que terá de viajar a negócios por dois dias
a) Você pergunta se precisa de alguma ajuda, deseja-lhe boa viagem e sorte nos negócios
b) Sente certo desconforto e pede mais detalhes da viagem. Procura saber com quem vai viajar e se encontrar, onde vai ficar e em que telefone pode ser localizado(a)
c) Sente-se ameaçada(o) com a possibilidade de ele(a) conhecer e se interessar por outra pessoa
d) Acha que é mentira ou que a viagem é pretexto para um encontro romântico

2. Quando seu (sua) parceiro(a) volta de viagem
a) Você o (a) recebe carinhosamente e demonstra interesse pelo trabalho que realizou
b) Você o (a) recebe bem, mas quer saber detalhes do que fez e com quem esteve
c) Você o (a) recebe com desconfiança. Vasculha os bolsos e a mala em busca de evidências de traição, checa a memória do celular e o (a) enche de perguntas
d) Você o (a) recebe com agressividade. Faz acusações, ameaças e não aceita explicações

3. Você vai com seu (sua) parceiro(a) ao shopping center

a) Caminha normalmente a seu lado e o (a) ajuda nas compras
b) Ao entrar em uma loja, com uma (um) vendedora(or) atraente, você presta mais atenção na maneira como conversam do que na compra em si
c) Se percebe a presença de alguém atraente, nem entra na loja. Procura outro caminho e fica amuada(o)
d) Desconfia o tempo todo que seu (sua) parceiro(a) está olhando em excesso para o sexo oposto e vice-versa

4. Você e seu (sua) parceiro(a) encontram casualmente uma (um) ex-namorada(o) dele(a)

a) Você reage com naturalidade e conversa normalmente
b) Não consegue se manter indiferente e tenta atrair para você a atenção do(a) parceiro(a)
c) Você fica perturbada(o), quer ir embora ou cria situação de confronto com o(a) parceiro(a) ou com a(o) ex
d) Você fica transtornada(o). Imagina uma trama entre eles e pode tomar atitudes destemperadas, como agressões verbais ou físicas

5. Você entra no quarto e seu (sua) parceiro(a) está desligando o telefone

a) Pergunta simplesmente quem era
b) Especula sobre quem era e qual o teor da conversa
c) Aproveita a primeira oportunidade para confirmar a identidade do interlocutor
d) Acha que a ligação foi interrompida por se tratar de traição amorosa

6. Você e seu (sua) parceiro(a) saem para jantar com um grupo de amigos. neste dia, vai junto a (o) prima (o) de um dos amigos que está de passagem pela cidade

a) Você recebe bem a (o) convidada(o) e se esforça para integrá-la(o) ao grupo
b) Vê a (o) convidada(o) como rival e consciente ou inconscientemente se compara a ela(e). Fica alerta para o interesse do(a) parceiro(a)
c) Sente-se mal e chega a se tornar agressiva(o) e criar situações embaraçosas
d) Acha que os amigos tramaram isso de propósito e tem certeza de que seu parceiro(a) está se envolvendo com a (o) convidada(o)

7. Seu (sua) parceiro (a) tem um encontro habitual com amigos do mesmo sexo, do qual você não participa

a) Você o (a) incentiva e acha natural que tenha o espaço dele(a), afinal você faz o mesmo
b) Acha natural, desde que saiba com quem vai sair, aonde vai e como pode localizá-lo(a)
c) Você não gosta, mas se vê obrigada(o) a engolir. Controla o horário da chegada e liga durante o encontro no bip ou celular para se certificar de que está mesmo com os (as) amigos(as)
d) Não admite e é capaz de atos extremos para impedi-lo(a) de sair

8. Seu (sua) parceiro(a) atrasa-se para voltar para casa

a) Você se preocupa e pensa que algo de ruim pode ter acontecido. Quando chega, sente alívio
b) Você se preocupa. Passa-lhe pela cabeça a possibilidade de algum transtorno, mas também a leve desconfiança de traição. Quando chega, pede explicações e acredita no que ele(a) diz
c) Enfurece-se e imagina que ele(a) está se divertindo com alguma (algum) namorada(o). Recebe-o(a) de maneira áspera e desconfiada
d) Tem certeza de que está sendo traída(o) e o (a) recebe de maneira extremamente agressiva.

Pontuação:
Respostas tipo a: ________
Respostas tipo b: ________
Respostas tipo c: ________
Respostas tipo d: ________
Avaliação:
Maioria das respostas AVocê é uma pessoa zelosa, que cuida da relação, confia em si e no (a) parceiro (a).   ALERTA: cuidado apenas para que o excesso de confiança não se torne descuido.
Maioria das respostas BVocê está na faixa da normalidade. Zela pelo relacionamento e está atenta (o) a situações ameaçadoras. ALERTA: só não deixe a sensação de ameaça tomar conta.  
Se A e B estiverem em equilíbrioVocê está na situação ideal. Cuida do relacionamento e só se preocupa quando percebe ameaças reais.
Maioria das respostas CVocê é uma (um) ciumenta (o) típica (o). Algo vai mal com você, com seu parceiro(a) ou com o relacionamento.
Maioria das respostas D
Procure ajuda especializada. Seu comportamento é característico da chamada síndrome de Otelo, o ciúme no mais alto grau, com risco de agressões físicas e outras baixarias.

FONTES ( ou para saber mais):

- BALLONE, G.J.. Ciúme Patológico. In: PsiqWeb - Psiquiatria Geral. 2004.  
- BUBER, Martin. Eu e Tu. 8.ed. São Paulo: Centauro, 2004.
- OLIVEIRA, Tiago L. T. de. A intersubjetividade em Martin Buber.
  Consciência.org - Filosofia e Ciências Humanas. 2005. Disponível em  
- FERREIRA-SANTOS, E.. Site Pessoal e Profissional. Disponível em:
   http://www.ferreira-santos.med.br/index.html.

domingo, 17 de julho de 2011

FELICIDADE, LIBERDADE, PAIXÃO, AMOR ETERNO, ...

FELICIDADE, LIBERDADE, PAIXÃO, AMOR ETERNO, ...


Tenho comentado em vários posts a lógica daseinsanalítica (ou melhor, o olhar fenomenológico-existencial daseinsanalítico) sobre os ‘princípios existenciais’ dos quais nenhum humano pode se eximir. O cuidar-de-si, a necessidade do outro, a faticidade, a distração, a finitude, são princípios fundamentais (e pontos principais) de toda a lógica daseinsanalítica existencial.
Pensando no comentário de um paciente sobre a “falta de graça’’ de tais suposições, após observação de suas ‘fantasias amorosas’ na busca de vínculos afetivos de longa duração, me veio em mente a suposição de que estamos cada vez mais limitados em ‘’colorir’’ nossas existências criativamente em função de ‘scripts’ (ou modelagem) não só pertinentes às nossas funções enquanto membros de um grupamento social, mas também pertencentes ao maravilhoso-mundo-das-fantasias-para-ser-feliz.  Ou, melhor dizendo, estamos nos impossibilitando a  fazer escolhas criativas para a construção de nossa realidade, muito provavelmente devido à forte influência das “fantasias’’ disponibilizadas no contexto social e cultural. Assim como adquirimos bens para a nossa sobrevivência, também passamos a nos acostumar a juntamente com eles, adquirir fantasias pré-estipuladas para a nossa alegria e bem-estar. Mas, será que essas fantasias realmente nos satisfazem frente as possibilidades inerentes à nossa própria existência?
No âmbito do ‘amor-paixão’, como já vimos no post anterior, criar fantasias parece ser algo da natureza neurofisiológica da nossa espécie, mas, insistir para que essas sejam as únicas possibilidades de dar algum colorido à dureza da existência, e às dificuldades de uma interação afetiva, me parece um dano de potencialidade, já que perde-se contato com o poder de criar e de (re)inventar a própria história de acordo com as próprias possibilidades. (Lembro do caso de uma moça que se relacionava há pouco tempo com seu namorado, apaixonadamente. Em pleno desfrute da paixão, decidiu acabar com tudo pelo descontentamento de não ter sido envolvida numa celebração de ‘Dia dos Namorados’ satisfatória às expectativas dela. Abriu mão de vivenciar a paixão, desfrutar da convivência, o desenvolvimento pessoal, etc., em função da inexperiência dele para realizar seus sonhos, literalmente.
Fazer planos, ter sonhos, criar fantasias, são  pertinentes a nossa necessidade de viver e construir o futuro. Mas porque precisamos ser tão limitados nessas escolhas prévias? Por que precisamos sempre optar pelo ‘’script’’ que adquirimos assistindo a ‘’vida dos ‘’outros’’ acontecer? Se é que elas acontecem desse jeito mesmo ?!?!?! Por que não nos sentimos felizes na medida da liberdade que dispomos para construir a nós mesmos?  Será que existem ‘scripts’ tão poderosos ao ponto de superarem as dificuldades da existência e assim nos libertar da tarefa de construir a nós mesmos e o mundo que queremos compartilhar?
Sinceramente, não sei...(aceito sugestões!!!). Só sei que existir e sobreviver nas dificuldades que se encontram no mundo e, mesmo assim, se manter autêntico apesar delas, me parece ser o melhor BEM que podemos adquirir para a vida. Assim o sinto e compartilho com o mundo. Acredito que esse modo de ser-estar-no-mundo é o lugar  mais próximo a que podemos chegar, do que entendemos como liberdade e felicidade. Possível, vivenciada e compartilhada, apesar de tudo!  Afinal, lembrando do filósofo existencialista francês,  Jean-Paul Sartre: “não se trata do que a vida faz com a gente, mas o que a gente faz com a vida que se apresenta...”, ou algo nesse sentido.
Fantasia, felicidade, amor eterno.... parece que tudo acontece no mesmo padrão de construção do cotidiano.  E ao ler o post de Márcia Tiburi, abaixo resumido, espero complementar e desvelar um pouco mais dessa dinâmica existencial da atualidade. Uma distração pra lá de perigosa.  
(Márcia Coutinho)

Indústria cultural da felicidade
Discursos prontos vendem a ilusão de que ser feliz é acessível a todos na era contemporânea

Sacralização do consumo
(...) A ausência de pensamento característica de nossos dias define a falta de lucidez sobre a ação. Infelicidade poderia ser o nome próprio desse novo estado da alma humana que se perdeu de si ao perder-se do sentido do que está a fazer. Desespero é um termo ainda mais agudo quando se trata da perda do sentido das ações pela perda da capacidade de reflexão sobre o que se faz.
Sem pensamento que oriente lucidamente ações, é fácil se deixar levar pelos discursos prontos que prometem “felicidade”. Perdida a capacidade de diálogo que depende da faculdade do pensamento, as pessoas confiam cada vez mais em verdades preestabelecidas, seja pela igreja ou pela propaganda – a qual constitui sua versão pseudossecularizada. (...)
Tudo isso pode fazer parecer que a felicidade foi profanada para entrar na ordem democrática em que ela é acessível a todos. O sistema é cínico, pois, banalizando a felicidade na propaganda de margarina, em que se vende a “família feliz”, ou de carro, em que se vende o status e certa idéia de poder, a torna intangível pela ilusão de tangibilidade.
Sacralizar, sabemos, é o ato de tornar inacessível, de separar, de retirar do contato. Na verdade, o que se promove na propaganda é uma nova sacralização da felicidade pela pronta imagem plastificada que, enchendo os olhos, invade o espírito ou o que sobrou dele. A felicidade capitalista é a morte da felicidade por plastificação.
Fora disso, a felicidade filosófica é da ordem da promessa a ser realizada a cada ato em que a aliança entre pensamento e ação é sustentada. Ela envolve uma compreensão do futuro, não como ficção científica, mas como lugar da vida justa que se constrói no tempo presente.
A felicidade publicitária apresenta-se como mágica dos gadgets eletrônicos que se acionam com um toque, dos “amigos” virtuais que não passam de má ficção. A felicidade publicitária está ao alcance dos dedos e não promete um depois. Ilude que não há morte e com isso dispensa do futuro. Resulta disso a massa de “desesperados” trafegando como zumbis nos shoppings e nas farmácias do país em busca de alento. (Marcia Tiburi)

Para ler o post na íntegra:

segunda-feira, 11 de julho de 2011

"No-aqui-e-agora-vamos-fazer-acontecer-juntos"

TERAPIA DE CASAL

''No-Aqui-e-Agora-Vamos-Fazer-Acontecer-Juntos''

Saber Viver

“ Não sei... Se a vida é curta 

Ou longa demais pra nós, 

Mas sei que nada do que vivemos 

Tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo,
É o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela
Não seja nem curta,
Nem longa demais,
Mas que seja intensa,
Verdadeira, pura... Enquanto durar.”
(Cora Coralina)

De acordo com dados  levantados por estudo multicultural, realizado em vários países do mundo de influência judaico-cristã (Sharlin et al., 2000 in Norgren et al., 2004), o ser humano diz ter a necessidade de ser amado, respeitado, de sentir-se seguro, de compartilhar desejos e sonhos, de ter suas necessidades físicas, emocionais e espirituais satisfeitas, focando na possibilidade de compartilhar-se dessa forma com alguém especial ao longo de sua existência.  Outras tantas pesquisas sobre ‘relacionamentos amorosos’ demonstram que, ainda hoje, o ideal romântico de séculos passados se mantem fortemente presente. Apesar de todo movimento cultural em prol da individualidade e autonomia do ser humano, isto significa que ainda se espera realização total no casamento ao encontrar ‘a pessoa certa’ ou, ainda, a tão propagandeada ‘alma gêmea’.
O que fica esquecido, em geral, no meio de tantas expectativas sobre o AMOR como recurso para encontrar a felicidade, é o fato do ‘casamento’ (a conjugalidade, a relação conjugal, o viver juntos, o compartilhar juntos) ser apenas o primeiro passo em direção a um outro tipo de sentimento afetivo que pode vir a acontecer entre o casal, quando assim ambos desejarem, já que a ‘paixão’ tem fim.
Os aspectos bioquímicos do AMOR-PAIXÃO (aquele valorizado nas novelas e filmes) já foram devidamente desvendados pelos neurocientistas. A sensação prazerosa da paixão é resultado de uma poderosa descarga de anfetaminas produzidas pelo próprio organismo. Essas substâncias, que são da mesma família daquelas usadas como moderadores de apetite, produzem sintomas similares ao do medicamento: ruborização, calores, aceleramento cardíaco, intensificação do desejo sexual e estado de consciência alterado, eufórico.
Provocando uma aceleração no metabolismo corporal, é de se esperar que após atividade sexual, a química neuronal (endorfinas e hormônios) responsável pela sensação de relaxamento pós-orgasmo, produza uma extrema sensação de bem-estar aos apaixonados. Pois, além de terem seu objeto de desejo ao seu lado, o organismo encontra um canal de alívio para o ‘estresse’ (excitação) causado pela química fisiológica do ‘apaixonamento’. Onde a necessidade de vinculação ao objeto amado é reforçada pelo bem-estar não só mental (emocional), mas orgânico. Porém, os neurocientistas também afirmam que, em média, a partir do terceiro ano desta “intoxicação” apaixonada , as células cerebrais ficam saturadas ou simplesmente mais tolerantes à química emocional e não respondem mais como antes.  
Com neurônios saturados ou não, terminado o período de ‘encantamento’, que pode ocorrer  a qualquer momento após longo período de convivência, morando-se juntos ou não, já se tem a dimensão de quem É aquela pessoa com quem nos relacionamos e de quem esperávamos ‘’toda a felicidade’’ (ideal romântico). Muito possivelmente, essa ‘’nova’’ parceria se apresenta agora cheia de detalhes bem diferentes  do que víamos ou, facilmente suportávamos, quando estávamos apaixonados. Esse estranhamento, geralmente conflituoso, acaba por limitar os recursos individuais do casal, que esperava ‘’viver feliz para sempre’’ ao lado de seu almejado AMOR.  
Na maioria das vezes, a tolerância para as diferenças, antes aparentemente ‘incondicional’, torna-se cada vez menor à medida que  o ‘’outro’’ vai se distanciando do que havia sido idealizado. Assim, muito provavelmente a disponibilidade para o contato mútuo também se esgota, minando os sentimentos de cuidar, ouvir, amar, dar, compreender, negociar, compartilhar. Ao invés do diálogo objetivo, necessário para resolução das diferenças, surgem as cobranças, intimidações, ofensas. Respostas geradas pelo forte sentimento de frustração, como se essas atitudes fossem a única alternativa de recuperação daquele ‘’outro’’ escolhido, funcionando quase como uma intimidação para que esse ‘outro’ retorne a ser aquela criatura tão desejada.  
Como, geralmente, as histórias sobre ‘apaixonamentos’ ou terminam no “...E viveram felizes para sempre...”, reforçando nossos desejos (e fantasias!) de completude no ser amado, ou terminam mesmo, num marasmo de lamentações e sofrimentos habitualmente reforçados nas canções de amor. Isso significa que, da mesma forma com que aprendemos a “AMAR”, não aprendemos a lidar com a construção da ‘realidade possível’ do relacionamento pós-paixão. Momento em que cada parceiro irá reagir de acordo com seu repertório pessoal, compatível com seu histórico existencial, incluindo-se aí antigos sentimentos relacionados à forma como aprendeu a estabelecer vínculos com os outros. Ora sentindo-se abandonado, enganado, frustrado, humilhado, deprimido. Ora  raivoso, magoado, reativo, violento, etc., num turbilhão de emoções desgastantes e conflitantes. (Re-)Agem , como se não tivessem tido SORTE na escolha amorosa, já que seu caso não coincide com as histórias de alguns ‘privilegiados’ que se ouve, lê ou se assiste por aí.  E de cujos sentimentos de plenitude do estado de APAIXONAMENTO sente-se definitivamente afastado... “para sempre fadado ao sofrimento e à solidão existencial”.
Nesse estágio começa mais um conflito que o divide entre a vontade de terminar tudo e o compromisso cultural de preservar o casamento, como se só existissem essas respostas para apaziguar a situação. Geralmente, é na Terapia ou no Aconselhamento de Casais que se pode ir  além dessas perspectivas imediatistas, já que existe sim, a possibilidade de construção de um futuro compartilhado baseado na ‘AMOR’, sentimento de ligação e pertinência mútua, que no seu âmbito preserva as relações humanas baseando-se no respeito e acolhimento ao ‘outro’, assim como este se apresenta. Isto é, de estabelecer uma ligação afetuosa, “em que predominem a dependência mútua, o companheirismo e a estabilidade", conforme cita a antropóloga americana Helen Fisher num estudo sobre a razão biológica da paixão e seus desdobramentos, conforme publicação da Revista Veja.
São muitos os fatores psíquicos (vivenciais, culturais, sociais, econômicos) que levam as pessoas a se dedicarem a um único  parceiro exclusiva e mutuamente, amorosa e sexualmente. Quaisquer que sejam esses fatores, é importante salientar que, fundamentalmente, o ser humano busca estabelecer vínculo e intimidade para compartilhar sua vida e dar sentido a sua existência. Aprender a comunicar-se emocional e assertivamente, com objetividade e compaixão, é uma das possibilidades dos encontros terapêuticos para casais. Comunicar-se adequadamente facilita o ‘compartilhar-se’ individualmente, a fim de ampliar o escopo desse relacionamento e de si próprio.
Conciliar esse ‘amor ideal’ e a realidade cotidiana do casamento é a resposta que todos gostariam de obter. E para tal, na busca desse ‘’porto seguro’’ do amor conjugal há que se investir esforço, dedicação, atenção, maturidade, bom senso, respeito, carinho, empatia, e tantos outros atributos que forem necessários para no ‘aqui e agora fazer acontecer juntos’. Potencialidades que nem sempre nos acompanham quando o ‘’ideal de amor-ideal’’ já se encontra intimamente estabelecido por conta de histórico existencial próprio (relações afetivas da infância, por exemplo) e fortemente temperado  por fantasias apreendidas do imaginário coletivo, como as do filme Titanic, de 1997, onde o amor-paixão perdurou por toda a existência de sua protagonista.
Não há como se comparar a tais ideais de apaixonamento, porém, se existe algum sentido positivo na manutenção da afetividade amorosa e sensual com seu parceiro, antes de “submeter-se” ou  “desistir” de um relacionamento significativo, pense e avalie o quanto poderá ser recompensador o encontrar-se consigo mesmo e com esse outro que, muito provavelmente, também precisa compartilhar-se e dar significado à vida. Tarefa primordial de todos nós,  seres humanos sem bula e sem manual de instruções...


Para saber mais:
·    NORGREN, Maria de Betânia Paes et al . Satisfação conjugal em casamentos de longa duração: uma construção possível. Estud. psicol. (Natal),  Natal,  v. 9,  n. 3, Dec.   2004 .   Disponível em http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-294X2004000300020&lng=en&nrm=iso.
·    CARELLI, Gabriela. A vida antes e depois da paixão. REVISTA Veja. Ed. 1 754, Jun. 2002. Disponível em: http://veja.abril.com.br/050602/p_122.html.


domingo, 26 de junho de 2011

Notícias da Semana - 19 a 26/jun/2011

O HOMEM E os ANIMAIS…  ''amor incondicional'' ou ''amor imaginado''????


A princípio fiquei  tocada com as imagens e manchetes sobre bichos e seus donos (www.uol.com.br),  abaixo reproduzidas.  Senti uma 'dorzinha' no peito, que nem tive vontade de abrir as  notícias. Mas, ao mesmo tempo, fiquei muito curiosa sobre seus conteúdos, principalmente, porque não pareciam notícias sobre celebridades e, também, porque não vendiam nenhum produto associado a exposição das beldades.  Por isso, decidi ir adiante, mesmo com certo desconforto, pensei que ao encarar os fatos acabaria por encontrar algum sentido para amenizá-lo. 
Após ler as notícias, nada mudou, continuei triste,  pensando na questão da ''finitude'' (=morte) que nos aparta das criaturas que amamos. Porém, como também acho interessante constatar os comentários dos outros leitores, pois acredito que estes dão dicas da lógica para a existência que anda nos corações e mentes do mundo, comecei a investigar o que tinham a dizer. 
Longe de encontrar algum consolo, fiquei ainda mais tocada pela 'tristeza' que visivelmente permeava o cotidiano  daquelas pessoas. Me dei conta do quanto frustrados estamos uns com 'os outros'. E até muito distanciados da dinâmica existencial do 'fazer-com e estar-com' , pois nem percebemos que 'os outros' são como nós, pensando nos desígnios fundamentais para sobrevivência material e emocional (personalidade, valores, afetividade, vínculos, etc.) de cada um. Tarefa nada fácil para TODO MUNDO, do Bill Gates ao gari!
No entanto, em sua grande maioria,  além das frustrações resultantes dos encontros entre humanos (p.ex.: "Quanto mais eu conheço os homens, mais eu amo os animais"...etc.), os comentários dos leitores traziam repetidamente uma forte tendência  a imaginar 'o amor incondicional', percebido na relação animal --> homem,  como a resposta para todos os seus desgostos e males.  
Fiquei pensando: será que esse  'amor incondicional' funcionaria para o nosso desenvolvimento pessoal (encontro com o 'si-mesmo') ?!?!?!! Quais seriam as tarefas da existência,  se amássemos incondicionalmente a todos sem distinção???? 
Me parecem coisas contrastantes, porque ao mesmo tempo que  EU desejo que me amem incondicionalmente, o outro que deve me amar desse jeito também deseja ser amado incondicionalmente, e assim, já que o outro não é como eu,  quais seriam as condições ''incondicionais'' para que esse amor ocorresse (?!).  Será que, para um MUNDO mais acolhedor,  deveríamos  ser todos iguais e ter as mesmas condições (=perspectivas) de afeto?  Ihhhh... Sei lá.... não consigo imaginar esse 'como seria'...Mas, consigo descrever o que apreendi, e me trouxe algum alívio, dos comentários publicados. 
Independente do 'amor incondicional' (se for possível a sua existência numa relação  entre dois seres-vivos), as pessoas parecem falar sobre uma sensação de grande BEM-ESTAR (apesar de melancólico), que o amor da relação homem --> animal   suscita à imaginação. E esse BEM-ESTAR ''possível" e melancólico, me parece ser o vislumbre de como seria nosso MUNDO se apenas nos tratássemos BEM. Sem grandes expectativas de grandes amores 'in-' ou 'con-' dicionais. Onde apenas as sensações de acolhimento e reconhecimento (=bem-estar) invadindo nosso SER, se expandiriam para os todos os outros seres e coisas do mundo.  É o mais próximo de uma realidade possível que consigo imaginar, pensando numa prática para o aqui e agora.  
O que me faz pensar que, pelo menos alguma consideração deveria ter sido dirigida à humanidade naqueles comentários, já que, no final das contas: Somos todos animais!  E, da mesma forma, precisamos de cuidados e de meios para que a relação afetiva aconteça entre nós, para nosso BEM e para o BEM de TODOS.... 
Afinal descobri que estamos todos pensando a mesma coisa... Assistam a "Todo mundo quer amor" (Arnaldo Antunes):  


E para que tenhamos os benefícios necessários de um mundo melhor, não custa nada a cada um de nós, num primeiro momento, pensar, tomar consciência, esclarecer,  colocar luz,   sobre as próprias perspectivas afetivas. Conhecer a nós mesmos SIM, esta é uma questão de saúde sobre a qual podemos agir e fazer diferença, a despeito da falta que o 'amor incondicional' nos traz.  Cuidem-se BEM !!! 

22/06/2011 - 15h40
Homem chora morte de égua atropelada em beira de estrada no interior de São Paulo
José Bonato
Especial para o UOL Notícias em Ribeirão Preto
                      Cristiano Verola abraça égua Estrela minutos antes da morte 
do animal,  atropelado em rodovia em SP
       
Um homem demonstrou grande tristeza no interior de São Paulo nesta terça-feira (21) ao se despedir de uma égua de 13 anos de idade que precisou ser sacrificada após um acidente ocorrido entre Serrana e Altinópolis, na região de Ribeirão Preto (313 km de São Paulo).
A égua, chamada Estrela, puxava uma carroça conduzida por Sebastião Verola, 58, e seu filho, Cristiano Verola, 28, quando foi atingida por trás por uma Eco Sport na manhã de ontem (21). O animal tombou no chão, com várias fraturas nas patas traseiras, e ali ficou até morrer.
A morte de Estrela foi o fim de uma amizade iniciada quando Cristiano tinha apenas 15 anos. "Estou muito triste, mas não tem outro jeito. É o animal de estimação lá de casa", afirmou ele, que, minutos antes de Estrela ser sacrificada, colocou a cabeça do animal sobre as pernas e a beijou.
A técnica de zoonoses Márcia Romancini Cavalheiro, 35, afirmou que não havia como manter a égua Estrela viva. “Ela ficou muito ferida. Devia estar sofrendo muito. Uma das patas estava praticamente pendurada à perna.”
A égua foi anestesiada e depois sacrificada com uma injeção de cloreto de potássio na veia. “Ela morreu sem sentir nenhuma dor.”
Márcia disse que agora o Centro de Controle de Zoonoses de Serrana vai tentar encontrar um outro animal para a família Verola. “Eles são muito humildes e precisam de outro cavalo para trabalhar e tocar a vida.”
Verola mora em Serrana e, há 20 dias, perdeu a mãe. O pai dele, Sebastião Verola, 58, está internado no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto em decorrência dos ferimentos no acidente. Segundo a assessoria do hospital, não corre risco de morte.
Como foi o acidente
Sebastião conduzia a carroça por volta das 6h30 na estrada Mário Titoto, no sentido Altinópolis-Serrana, quando foi atingido na traseira pelo Eco Sport.
Segundo o motorista do veículo, Flavio Westin, 43, de São Sebastião do Paraíso (MG), foi impossível evitar a batida porque estava escuro, e a carroça não tinha sinalização refletora. Carro e carroça ficaram destruídos com a colisão.

21/06/2011 - 10h34
Sem-teto desenganado por médicos se reencontra com cadelinha de estimação como último desejo
Do UOL Notícias Em São Paulo

                           Kevin McClain se encontrou com Yurt no hospital
Uma comunidade inteira se reuniu para garantir a um sem-teto desenganado pelos médicos seu último pedido antes de morrer. Tudo o que Kevin McClain, de 57 anos, queria era se encontrar com sua cachorrinha Yurt, segundo o canal de televisão KCRG-TV.
Durante anos, McClain morou dentro de um carro, em Cedar Rapids, nos Estados Unidos, com sua cadela de estimação. No entanto, mês passado, o sem-teto foi internado com câncer no pulmão.  Os médicos disseram que ele teria apenas alguns dias de vida. 
Separada de seu dono, Yurt foi levada a um abrigo. Em poucos dias, a cachorrinha foi adotada por Kate Ungs. “Ela é cheia de energia e traz muito amor e energia para nossa casa”, disse a nova dona.
Mas, mesmo internado, McClain ainda queria se despedir de sua companheira de tanto tempo. Ainda na ambulância, quando foi levado ao hospital, o sem-teto disse aos paramédicos que tinha uma cadela e que gostaria de vê-la.
Por sorte, um dos paramédicos, Jan Erceg, também era voluntário no abrigo de animais da cidade. Ele foi atrás de Yurt e achou a cadelinha na casa da família Ungs. 
“No momento que McClain abriu os olhos e viu a cachorrinha foi uma felicidade só. Ela lambeu os braços e o rosto dele”, contou Erceg. Poucos dias depois, McClain morreu e Yurt voltou a morar em sua casa nova.
"Ela agora é parte da nossa família. Somos um grupo unido", disse Eric Ungs.